Peter Morville, 9 de fevereiro de 2001
Tradução: Marcos Lavieri, 24 de fevereiro de 2004
Versão: Português do Brasil

Software para Arquitetos de Informação

Profissionais da informação mantêm uma relação de amor e ódio com a tecnologia.

Nós amamos Tecnologia da Informação porque essa área nos fez necessários ao exigir a criação e conexão de enormes quantidades de conteúdo, aplicativos e processos.

Nós odiamos Tecnologia da Informação porque ela ameaça constantemente substituir a necessidade por nosso trabalho.

Qualquer um que viu o filme Desk Set, de 1957, em que bibliotecários temem que o "cérebro eletrônico" irá roubar seus trabalhos, entende a difícil natureza desta batalha.

Amando ou odiando Tecnolgia da Informação, nós e a tecnologia somos parte de um processo de evolução conjunta que é definido pela capacidade de não adiar mudanças rápidas.

Nós temos uma oportunidade real (para não dizer uma obrigação ética) de influenciar positivamente nos resultados finais dessa jornada inserindo nosso entendimento, e saudável ceticismo, a respeito do processo de aquisição e integração da tecnologia da informação.

Os próximos Cinco anos

Estamos vivendo na Idade da Pedra quando o assunto é software para arquitetos da informação. Tanto os produtos quanto o entendimento do que realmente precisamos são rudimentares.

Quando as pessoas se reúnem para trocar experiências sobre aplicativos relacionados a empreendimentos que dão suporte aos sites e intranets, dor e sofrimento são temas correntes. Muitas organizações ficaram confusas e desmotivadas em razão de seus primeiros aplicativos web, e fracassaram ao explorar produtos em categorias relacionadas.

Isto vai mudar. Nos próximos 5 anos, todos os grandes sites e intranets irão se beneficiar dos aplicativos de software a partir de uma vasta variedade de categorias. Nós não iremos escolher entre software de classificação automatizada e um programa de filtragem colaborativa. Nós vamos precisar de ambos e muitos outros.

Mais ainda, arquitetos da informação terão um papel imprescindível, trabalhando ao lado de gerentes de negócios, gerentes de conteúdo e programadores de software para selecionar, integrar e melhorar este sofisticado conjunto de aplicativos. Nenhuma dessas pessoas pode fazer um bom trabalho isoladamente.

Os próximos Cinco anos

Estamos vivendo na Idade da Pedra quando o assunto é software para arquitetos da informação. Tanto os produtos quanto o entendimento do que realmente precisamos são rudimentares.

Quando as pessoas se reúnem para trocar experiências sobre aplicativos relacionados a empreendimentos que dão suporte aos sites e intranets, dor e sofrimento são temas correntes. Muitas organizações ficaram confusas e desmotivadas em razão de seus primeiros aplicativos web, e fracassaram ao explorar produtos em categorias relacionadas.

Isto vai mudar. Nos próximos 5 anos, todos os grandes sites e intranets irão se beneficiar dos aplicativos de software a partir de uma vasta variedade de categorias. Nós não iremos escolher entre software de classificação automatizada e um programa de filtragem colaborativa. Nós vamos precisar de ambos e muitos outros.

Mais ainda, arquitetos da informação terão um papel imprescindível, trabalhando ao lado de gerentes de negócios, gerentes de conteúdo e programadores de software para selecionar, integrar e melhorar este sofisticado conjunto de aplicativos. Nenhuma dessas pessoas pode fazer um bom trabalho isoladamente.

Categorias no caos

É bastante irônico pensar que um dos mais difíceis desafios na compreensão de software para arquitetos de informação envolve tentar definir categorias para um monte de coisas.

Há várias sobreposições entre produtos. Essas sobreposições estão extremamente distorcidas por tentativas de marketing excessivamente entusiastas que dizem que o software pode criar taxonomias, gerenciar conteúdos, marcar um jantar e ainda amarrar seus sapatos.

E é claro que os fornecedores e seus produtos estão se multiplicando, se unificando e sofrendo um processo de mutação a uma velocidade assustadora.

Em razão dessa fluidez e contextos ambíguos, há uma tentativa precipitada de se definir apenas algumas categorias de produtos que os arquitetos da informação precisarão para trabalhar nestes próximos anos.

Classificação automatizada

Definição: Software que melhora regras definidas por humanos ou por algoritmos equivalentes para atribuir termos de indexação aos documentos automaticamente.

Sinônimo: categorização automatizada, indexação automatizada, nomenclatura automatizada.

Exemplos: Interwoven Metatagger, Autonomy Categorizer, Inktomi Search CCE, InXight Categorizer, MohominemohoClassifier.

Comentários: Vemos uma grande promessa de integrar profissionais ao desenvolvimento de taxonomias com softwares que popularizam essas taxonomias de forma rápida, consistente e barata. Observe que este software:

Para saber mais, leia o documento de Kat Hagedorn (disponível em meados de Março) e o artigo de Kathy Adams.

Geração Automatizada de Categoria

Definição: Software que melhora regras definidas pelos humanos ou por algoritmos equivalentes para gerar categorias e taxonomias automaticamente.

Exemplos: Semio Taxonomy,
Autonomy Portal-in-a-Box
.

Comentários: Proceda com muita precaução! As demonstrações que vimos produzem esquemas de categoria extremamente confusos com muita redundância e granularidade mista. Poderiam ser ferramentas úteis para arquitos de informação trabalhando com análise de conteúdo, mas não com os preços atuais. Para saber mais, leia Little Blue Folders.

Ferramentas de Busca

Definição: Software que fornece indexação integral de texto e busca no índice.

Exemplos: Inktomi Search, Verity, Google SiteSearch, Oingo DirectSearch

Comentários: Loucura total. Mesmo com o volume de conteúdo crescendo, as buscas serão os corações de muitos sites e intranets, poucos fornecedores ainda admitem que estão vendendo ferramentas de busca, eles dizem ter um "portal de soluções". Enquanto isso, os verdadeiros desafios envolvem unir pessoas de TI, que atualmente têm suas próprias ferramentas de busca dentro das corporações, para que compartilhem seus brinquedos com pessoas que entendem como e porque conectar usuários e conteúdo. As dificuldades atuais nestas categorias não estão relacionadas à tecnologia. É sim um problema de pessoas! Para saber mais visite Search Tools.

Gerencimamento de Tesauro

Definição: Ferramentas que proporcionam suporte para o desenvolvimento e a manutenção de vocabulários controlados e tesauro.

Exemplos: MultiTes, Lexico, Oracle interMedia, Verity.

Comentários: O limite extremo! Ouvimos falar sobre uma história de sucesso de alguém que integrou MultiTes e Verity. Entretanto, a maioria destes adeptos precoces teve de fazer muito desenvolvimento e integração customizadas nesta área. A parte difícil é dar suporte para o gerenciamento de vocabulário controlado nos ambientes descentralizados de hoje em dia. Veja ACIA Seminar Resources para saber mais.

Filtragem Colaborativa

Definição: Ferramentas que melhoram as preferências do usuário, modelos e perfil de compra para personalizar os sistemas de organização e navegação.

Exemplos: Macromedia LikeMinds, beFree's BSELECT

Comentários: Nós todos já vivenciamos a força e as armadilhas da funcionalidade "clientes que compraram este livro também compraram esses livros" da Amazon. Em cinco anos, a filtragem colaborativa irá preencher um papel específico na maioria dos sites, permitindo um grande conjunto de links associativos ('veja também', 'itens relacionados') em documentos, aplicativos ou produtos. Esta é uma abordagem de baixo custo, progressiva e adaptativa com valor real. Por outro lado, não substitui a necessidade de links associativos que são definidos por especialistas no assunto ou por regras de negócios. E claro, como Samantha Bailey sempre diz: "Cuidado com a Tirania de Popularidade".

Saiba mais neste artigo da ZDNet.

Soluções para Portais

Definição: Ferramentas que dizem fornecer "soluções de portal a empreendimentos completamente integrados"

Exemplos: Plumtree, Sagemaker, MS SharePoint.

Cometários: A visão de um acesso sem fronteiras e intuitivo para todos os empreendimentos e conteúdos de terceiros, independentemente de sua geografia, propriedade e formato, são forçados e completamente fora da realidade. Essas ferramentas dizem fazer tudo. Certifique-se de que sabe o que fazem bem.

Gerenciamento de Conteúdo

Definição: Software que gerencia o fluxo de trabalho desde autoria de conteúdo, passando pela editoração, até chegar à publicação.

Exemplos: Interwoven TeamSite, Vignette, Broadvision, Open Market Content Server, NCompass, Documentum

Cometários: A Forrester Research chama as ofertas destes de "imaturas". Os problemas surgem do fato de que o gerenciamento de conteúdo é muito complexo e extremamente volátil quanto ao contexto. Inevitavelmente você precisará comprar e então personalizar exaustivamente. Isso é uma dor de cabeça que algumas grandes organizações irão saber evitar. Leia este artigo para saber mais.

Analíticos

Definição: Software que analisa fontes online e offline de dados sobre comportamento do cliente para poder capacitar interações de clientes nos call centers, em campanhas de marketing e em sites ainda melhores.

Sinônimos: e-Marketing, e-Business intelligence, eCRM, data mining, web mining

Exemplos: Personify, Accrue, NetGenesis, digiMine.

Comentários: Eu tenho pouca experiência com essas ferramentas. Só pelo fato delas irem além da Web, dentro daquele outro mundo de ligações telefônicas e compras dentro da loja é admirável. Meu palpite é que elas irão fazer um bom trabalho ao dizer o que não está funcionando, mas também não irão ajudá-lo a entender como arrumar tal problema. Para saber muito mais sobre isso, leia o artigo de Karl Fast (que sairá brevemente).

Gerenciamento de base de dados

Definição: Ferramentas para gerenciar e fornecer acesso a dados estruturados como fatos e figuras.

Exemplos: Oracle, Microsoft SQL Server

Comentários: Nós não queremos passar pelos problemas da "web oculta" nos nossos próprios sites e intranets. Para evitar que dados valiosos sejam enterrados vivos em bases de dados isoladas, arquitetos da informação precisam colaborar com os programadores e os integradores de sistema a fim de fornecer aos usuários o acesso à informação e aos dados, independentemente do formato.

Software de produtividade para Arquitetura da Informação

Definição: Software que arquitetos da informação usam para fazer seus trabalhos.

Exemplos: Visio, Adobe Illustrator, Adobe InDesign, QuarkXPress, Inspiration, Macromedia FreeHand, Storyspace, DENIM & SILK, BPwin

Comentários: Certo, esta é uma categoria um pouco ridícula, mas e daí? Os produtos-chave do trabalho do arquiteto da informação incluem plantas, wireframes e vocabulários controlados. Microsoft Word, Excel, Access, Visio e PowerPoint são ferramentas básicas do mercado, mas os porta-vozes da Microsoft dizem não ter o monopólio nesta categoria.

Perguntas a serem feitas

Qualquer que seja a categoria, quando você estiver envolvido na seleção de softwares complexos e caros, há várias perguntas que precisam ser feitas.

Você irá precisar determinar se é melhor construir independentemente, comprar um produto ou contratar uma ASP. Você deverá se informar sobre o custo total da propriedade, desde de a compra, passando pela integração, pela personalização e pela manutenção, chegando à atualização. Você deverá se informar sobre perspectivas de longo prazo para o fornecedor, em outras palavras, se eles estarão lá para atender os telefones nos próximos 6 meses.

Mais importante ainda, você precisa encontrar no fornecedor um engenheiro que irá responder estas perguntas. Um das muitas evidências irrefutáveis do mundo de Dilbert é a de que engenheiros são como Hefesto (Vulcano), não podem dizer uma mentira. Felizmente eles irão contradizer a onda de marketing da empresa geralmente sem a mínima razão, ao lhe falar sobre:

Sendo assim, apesar dos engenheiros serem aqueles que realmente estão trabalhando duro para nos substituir por um autômato, ainda deveríamos gostar deles, porque eles são úteis e honestos, e porque eles irão precisar de nós ainda mais nos anos vindouros, para fazer uso produtivo de novas e fascinantes ferramentas que estão desenvolvendo.

Nota de Rodapé

Esqueci da sua categoria ou ferramenta de software favorita? Entre em contato comigo e eu irei adicioná-la a este artigo.

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